VAIA. A vaia é a maneira usada pelo povo quando, em grupo
não importando se pequeno ou grande -, para protestar ou contrariar uma idéia, ou
uma pessoa. Sua origem se perde no tempo. Os romanos, os gregos e todos os povos de hoje,
usam a vaia, toda vez que não aprovam, quando estão contra qualquer ponto de
vista ou pessoa.
VALDEMAR DE OLIVEIRA nasceu no dia 2 de
maio de 1900, na cidade do Recife, PE. Desde criança demonstrou pendores musicais, razão
pela qual começou a estudar piano com a professora Olímpia Braga, com o professor
Euclides Fonseca e com a professora francesa Angeline Radevese. Em 1918 foi estudar
Medicina em Salvador, onde se formou em 1923, defendendo sua tese sobre musicoterapia.
Regressando ao Recife, passou a escrever no Jornal do Commercio e a partir de 1935,
manteve uma coluna, A propósito, dedicada à música e ao teatro. Mas Valdemar de
Oliveira, no decorrer de sua vida, foi um homem plural. Foi médico, professor,
jornalista, teatrólogo, musicólogo, compositor, escritor, crítico de arte, foi membro
da Academia Pernambucana de Letras, da Academia Pernambucana de Medicina, da Academia
Brasileira de Música, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco,
da Comissão Pernambucana de Folclore, foi diretor do Teatro Santa Isabel, diretor do
Nosso Teatro hoje Teatro Valdemar de Oliveira, da Sociedade de Cultura Musical,
fundador e diretor do Teatro de Amadores de Pernambuco, representante da SBAT, presidente
regional da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos, professor das faculdades de
Medicina do Recife e de Ciências Médicas, Delegado Regional do Instituto Nacional do
Cinema, presidente da Sociedade de Cultura Musical de Pernambuco. Escreveu livros
didáticos adotados na rede nacional de ensino, livros científicos e peças de teatro
encenadas em todo o país. Na área do Folclore, além de inúmeros artigos publicados em
jornais e revistas nacionais são de sua autoria O frevo e o passo de Pernambuco (1946),
A recriação popular (1966), A origem do fado (1969), Frevo, capoeira e
passo (1971), Frevo (1976), As modalidades do Frevo (1976). Morreu no
dia 18 de abril de 1977, na cidade do Recife.
VALSA. As origens da valsa
um gênero musical que esteve muito em voga até os começos do século passado
são desencontradas, diferentes. Os franceses, os alemães discutem, entre si, a
paternidade da origem da valsa, antiga dança aristocrática, dos palácios
imperiais e que, logo em seguida, passou a ser cantada, tocada e dançada pelo povo. As valsas
vienenses de Strauss são muito famosas. As valsas brasileiras, muito bonitas,
também marcaram época, como Sobre as ondas, de Juventino Rosa, para muitos no
mesmo nível das melhores valsas vienenses.
VAMOS-PENEIRAR. É uma modalidade de samba
dançado na Bahia.
VAQUEIRO. O vaqueiro é a figura
principal da criação de gado. Com seu chapéu, suas luvas e sua roupa de couro cru, o vaqueiro
penetra na caatinga, para trazer de volta a rês fugitiva. Junta o gado que é levado para
o pasto ou para bebedouro. Ajuda a ferrar, com a marca do dono, as reses compradas
ou filhas do rebanho. Quando conduz o gado, o vaqueiro, com seu aboio
triste, enfeita as tardes sertanejas. Veja ABOIO, VAQUEJADA.
VAQUEJADA. No fim do inverno
antigamente, quando o gado ainda não era criado em currais, os vaqueiros
saíam, com seus chapéus, suas luvas e sua roupa de couro cru, à procura do gado nas caatingas
para ferrar, castrar, tratar as feridas e separar o gado de muitos donos. É a festa da apartação,
de separação do gado. Feita a separação, acontece a vaquejada. Os
vaqueiros mais jovens, mais valentes, saem em disparada e, pegando na cauda dos
bois, derrubam-nos sob os aplausos das pessoas presentes. Correm apenas dois vaqueiros
e o que fica à esquerda, o esteira, tem o trabalho de manter o animal correndo
mais ou menos em linha reta. Com a mucica ou saiada que é o puxão
do vaqueiro na cauda da rês esta perde o equilíbrio e cai. Se o vaqueiro
não conseguir derrubar a rês (o boi, a vaca, o garrote, o novilho), recebe uma vaia dos
que estão assistindo à vaquejada.
VARA-DE-BATER-PECADO ou VARA-DE-VIRAR-TRIPA. É
o homem, magro, alto, o mesmo que espanador-da-lua.
VASSOURA. Vários são os tabus da vassoura:
1. A vassoura não pode ser emprestada, porque carrega a felicidade e a saúde das
pessoas da casa para as pessoas da outra casa à qual foi emprestada; 2. Casa nova pede
uma vassoura também nova, para que ela não traga para a casa nova os problemas da
casa velha; 3. É bom colocar a vassoura atrás da porta para que a visita
não demore muito, vá embora; 4. Depois que a vassoura fica velha, imprestável,
é bom queimá-la para não dar infelicidade aos donos da casa; 5. Quem leva uma surra com
uma vassoura a pessoa seca o corpo; 6. A vassoura deitada traz desgraça
financeira para a família; 7. Quem primeiro deve varrer a casa com uma vassoura
nova é a mulher mais velha da casa; 8. Uma casa deve ser varrida da porta de entrada para
a porta da cozinha; assim fazendo, fica mais fácil a felicidade entrar na casa.
VATAPÁ. O vatapá é o prato mais
tradicional da culinária afro-brasileira. É feito com peixe ou crustáceos numa papa de
farinha de mandioca com molho de dendê e com pimenta, a gosto da pessoa. Faz-se, também,
vatapá de galinha, de milho e de pão.
VATICANO. Vaticano é o nome que se
dá aos vapores de novecentos a mil toneladas, usados nos rios da Amazônia. Dentro de
suas limitações, oferecem um certo conforto.
VELA. Antes dos candeeiros a querosene e
da energia elétrica, a vela era um tipo de iluminação muito comum no mundo
inteiro. Hoje, somente quando o fornecimento de energia é interrompido, é que a vela
é usada. Mas, nas igrejas, a vela é uma espécie de chama da fé e, nas
procissões, os fiéis conduzem sua vela enquanto cantam e rezam. Em todas as
cerimônias religiosas a vela está presente, significando a fé do cristão, que
nasce e morre com uma vela na mão, pagando suas promessas, acendendo-a nos
túmulos dos familiares no dia de finados. Até mesmo para se tirar uma botija,
o ato tem que contar com uma vela acesa, meio consumida, retirada de um altar da
igreja.
VELHA-DO-CHAPÉU-GRANDE. É a
personalização da fome no Nordeste.
VELHO. É uma figura cômica dos pastoris
nordestinos. Também é conhecido como o bedegueba. No pastoril profano ou pastoril
de ponta de rua, o velho não escolhe as palavras para declamar versos apimentados
e, às vezes, até mesmo indecentes, e cantar suas canções impróprias para menores. Ele
se apresenta como um verdadeiro palhaço, vestindo um fraque de cores espalhafatosas,
calças listradas, uma gravata bem maior do que a comum, com uma flor na lapela,
empunhando uma bengala, com um chapéu de abas largas, acompanhando a dança das pastoras
exagerando nos gestos. No Recife, vários velhos marcaram época, entre os quais o
velho Barroso. Os velhos de antigamente usavam uma linguagem comedida e muito
diferente da que hoje é falada pelos bedeguebas.
VELHOS (DANÇA DE). Durante as festas do
Divino Espírito Santo realizadas nas regiões Sul e Centro-Oeste brasileiras e,
principalmente nas cidades de São Luís de Paraitinga (São Paulo), Parati e Angra dos
Reis (Rio de Janeiro), a dança-dos-velhos acontecia sempre nos salões da nobreza
aristocrática do café e do açúcar. Depois, como aconteceu na Europa com relação à quadrilha,
a dança-de-velhos ganhou as ruas, popularizando-se. Os participantes vestem roupas
antigas e nobres (fraques, cartola, etc.) e empunham suas bengalas para bater, de leve,
nas pessoas que estão assistindo à brincadeira. O grupo percorre as ruas da cidade aos
pares, andando como velhos, engomando, dançando músicas antigas (polcas, valsas)
tocadas por sanfonas e alguns instrumentos de percussão. Ao anoitecer, mais mortos do que
vivos, os brincantes voltam às suas casas, readquirindo suas verdadeiras
identidades.
VELÓRIO. O velório acontece
depois que a pessoa morre até a hora do enterro. Em outras regiões brasileiras o velório
é conhecido como fazer quarto ao defunto. Quando o velório é de uma
criança, os cantos são festivos acompanhados à viola. Durante o velório, as pessoas,
madrugada adentro, ficam conversando, comendo, velando, até que o corpo do falecido é
conduzido ao cemitério.
VENTANIA. Frevo-de-rua que, quando
executado pela orquestra, as clarinetas e os saxofones predominam.
VENTO. Para se chamar o vento nada como se
assobiar três vezes seguidas, como fazem os meninos quando estão soltando seus papagaios,
suas pipas. Costumam, também, em tais ocasiões, dizer: - "Abra a porta do
vento, São Lourenço!" O nome de São Lourenço é assim invocado porque o santo
morreu assado numa grelha de ferro. Outra maneira de se chamar o vento é sessar milho ou
arroz, atirando os grãos para o alto. Nos navios à vela, antigamente, era proibido
assobiar porque o assobio podia chamar tempestades.
VER-A-CAMA. No dia do casamento era
hábito a família da noiva convidar os parentes e amigos para visitar os aposentos dos
noivos. É um costume existente ainda hoje em algumas regiões brasileiras.
VERÍSSIMO DE MELO nasceu no dia 9 de
julho de 1921, na cidade de Natal. Concluiu o curso de bacharel em Ciências Jurídicas e
Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, exercendo as funções de advogado, juiz
municipal, professor de Etnografia do Brasil da Faculdade de Filosofia de Natal e de
Antropologia Cultural da Universidade Federal Rio Grande do Norte, além de jornalista. Em
1989, depois de aposentado, Veríssimo de Melo dedicou-se, com mais afinco, aos estudos
folclóricos e ao jornalismo. Foi, também, membro do Conselho Estadual de Cultura e da
Academia Norte-Riograndense de Letras. Publicou: Adivinhas (1948), Acalantos (1949),
Parlendas (1949), Jogos populares do Brasil (1956), Gestos populares (1960),
Cantador de viola (1961), O conto folclórico no Brasil (1976), Folclore
brasileiro: Rio Grande do Norte (1978), Folclore infantil (1965), Tancredo
Neves na literatura de cordel (1986), Medicina popular no mundo em transformação (1996),
além de outros trabalhos, ensaios, artigos e participação em congressos e seminários
folclóricos. Faleceu no dia 18 de agosto (mês do folclore) de 1996, na cidade de Natal.
VER-QUEM-TEM-ROUPA-NA-MOCHILA. Na
linguagem popular, esta expressão significa ver quem tem razão, quem tem direito, quem
pode.
VÉSTIA. É a roupa encourada do vaqueiro,
composta de gibão, peitoral, perneiras, chapéu e luvas. Só assim o
vaqueiro consegue sair em disparada, através da caatinga sertaneja, sem se ferir, à
procura da rês que fugiu do rebanho.
VIOLA. É um instrumento de corda trazido
pelo colonizador português, ao som da qual cantava para curtir a saudade da pátria
distante. Tem cinco ou seis cordas duplas, metálicas: as duas primas e segundas
eram de aço, a terceira era feita de metal amarelo (latão), enquanto o bordão de ré
era de aço, o de lá e o mi, de latão.
VIOLÃO. É um instrumento de corda, maior
do que a viola, e em forma do número oito. Tem seis cordas, com a afinação mi-lá-ré-sol-si-mi,
sendo as três primeiras feitas de metal e as outras de tripa. É a mesma guitarra
espanhola, com o mi grave a mais. É um instrumento que nunca saiu de moda e, nas
serenatas, nunca falta. Hoje, as cordas do violão são feitas de matéria plástica. As
cordas de metal, de tripa ou de seda são preferidas na zona rural.
VISAGEM. É a aparição sobrenatural de
alma do outro mundo. Na linguagem popular visagem é, também, fingimento,
hipocrisia.
VITALINA. É a moça velha que não casou,
que ficou no caritó. Diz a cantiga popular: - "Bota pó, vitalina bota
pó/ Que moça velha não sai mais do caritó!"
VITALINO. Vitalino Pereira dos Santos
nasceu no dia 10 de julho de 1909, no lugar Ribeira dos Campos, Caruaru-PE. Filho de
agricultores, Vitalino teve sua infância na zona rural, ajudando o pai na agricultura e
no criatório de pequeno porte. Começou a trabalhar no barro com seis anos de idade,
fazendo bichinhos (boi, cavalo, bode) com as sobras do barro de sua mãe Joana Maria da
Conceição, que era louceira. Seu pai, um dia, levou-o à feira de Caruaru onde Vitalino
expôs à venda boizinhos, paliteiros, galinhas com pintinhos. Depois da louça de
brincadeira, Vitalino passou a fazer figuras isoladas como a peça O caçador de onça,
seguida de muitas outras. Depois nasceram os bonecos agrupados como a banda de
pífanos, os cangaceiros, os soldados. Vitalino adulto, era já conhecido no mundo todo e
suas peças estão nos museus das grandes cidades da Europa, da Ásia e dos Estados
Unidos. Faleceu em 1963, com 54 anos de idade, de varíola, no Alto do Moura, arrabalde de
Caruaru, Pernambuco. Seus filhos e netos continuaram, não todos, seu trabalho até hoje.
Uma peça de Vitalino vale muito dinheiro.
VÔO-DE-ANDORINHA. É um tipo de passo,
no frevo pernambucano. Com sua sombrinha colorida, o passista eleva o corpo
com grande impulso, cruza as pernas no ar e, ao mesmo tempo, atira os braços.
VUCO-VUCO. 1. No Pará, vuco-vuco
significa, na linguagem popular, confusão, agitação; 2. No Recife, vuco-vuco é
o nome que se dá ao compartimento do Mercado São José onde se compra e se vende roupa
usada.