OBÁ. Orixá nagô da macumba carioca. Obá é a mulher
de Agodô.
OBATALÁ. É o maior dos orixás
iorubanos. Veja ORIXÁ.
OBG. Abreviatura popular de obrigado.
OBRA-DE-SANTA-INGRÁCIA. Diz-se quando um
trabalho nunca acaba, nunca chega ao fim.
OBRIGAÇÃO. Obrigação, é a mulher, os
filhos, as pessoas da família, para as quais o pai tem que alimentar, vestir, educar,
medicar, etc.
O-CÃO-CHUPANDO-MANGA. Na linguagem que o
povo usa, no seu dia-a-dia, a expressão o-cão-chupando-manga é usada quando a
pessoa é boa, é bamba em determinado assunto (em informática, José é o-cão-chupando-manga),
valente, determinado, inteligente.
OJÁ. É um fetiche (objeto animado
- com movimentos, ou inanimado - sem movimentos próprios, feito pelo homem ou produzido
pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto, se venera) do candomblé,
que consta de uma faixa ornada de conchas do mar e contas.
OLHADO. Veja MAU-OLHADO.
OLHAR-DE-CABRA-MORTA ou DE-PEIXE-MORTO.
Diz-se das pessoas que têm o olhar inexpressivo, perdido no espaço, no mundo do sonho,
fora da realidade.
OLHAR-PARA-TRÁS. O ato de olhar-para-trás
é uma das tradições religiosas mantidas no populário brasileiro. Quem olha para trás,
viajando só, principalmente à noite, fica assombrado e com medo. Dizem os caçadores que
a onça mata a pessoa que, ao caminhar na mata, olha para trás. Os noivos, quando vão
saindo da igreja, acompanhados dos padrinhos e convidados não devem olhar para trás. A
Bíblia diz que a mulher de Ló, porque olhou para trás, foi transformada em uma estátua
de sal. Quando se atira o primeiro dente de leite no telhado, não se deve olhar para
trás. Quando uma moça passa por um rapaz e olha para trás, para ele, diz-se que está quebrando-o-catolé.
OLHO-DE-SECA-PIMENTA. Diz-se de quem tem o
poder de botar mau-olhado nas pessoas, nos animais, nas coisas. As pessoas adoecem,
os animais morrem, as plantas murcham.
OLHO-GRANDE. Olho que irradia malefício,
ruindade, infelicidade, tudo de ruim que possa acontecer a uma pessoa. Há pessoas que
têm esse poder que faz com que os casamentos se desfaçam, os negócios não dêem certo,
etc. Quem tem olho-grande tem mau-olhado.
OLHOS. Que os olhos sejam as
janelas da alma, ninguém tenha a menor dúvida porque é olhando bem os olhos de
uma pessoa que podemos saber se ela é boa ou má, romântica ou sensual, pura ou
pecaminosa, sincera ou falsa. É que os olhos sempre deixam transparecer o mundo de
sentimentos, defeitos e qualidades que moram dentro de cada um de nós. Quando estamos
preocupados ou angustiados, falando uma verdade ou dizendo uma mentira, quando somos
dominados por uma emoção qualquer, os nossos olhos são capazes de revelar tudo
quanto sentimos com uma exatidão que a ciência ainda não conseguiu explicar. Até mesmo
a própria cor dos olhos pode qualificar as pessoas. Dizem que os ciumentos têm olhos
azuis. As pessoas sinceras, leais, costumam ter olhos castanhos. Têm olhos verdes
as pessoas capazes de enganar, assegura a sabedoria popular através de um antigo e muito
conhecido fado português. Os olhos pretos são misteriosos, difíceis; guardam
muito, escondem a alma de seus donos. E o que dizer, então, da força que certas pessoas
têm nos olhos, força capaz de fenecer as flores, adoecer a saúde, entristecer a
alegria e até mesmo de matar pessoas, animais e plantas? São pessoas que têm mau-olhado
e, através de seus olhos de seca-pimenta, olhos maus, invejosos, podem
até mesmo fazer o mal, espalhando tristeza, gerando preocupações de toda natureza. Os olhos
também participam da linguagem popular. Tanto é assim que botar no olho da rua é
mandar alguém embora, expulsar. Ir de olhos fechados, é conhecer bem o caminho
sem precisar de guia. Com um olho no padre e outro na missa é prestar atenção a
tudo, sem perder nenhum detalhe do que está sendo observado. Ter olhos de cabra morta diz-se
das pessoas de olhar lânguido, triste, sem expressão. Ter sangue no olho é
qualidade de quem é valente, esperto, de quem não tem medo de nada. Com o olho no
caminho fica quem está esperando alguém com certa ansiedade. Ter os olhos maiores
do que a barriga é a qualificação do guloso, cuja vontade de comer é maior do que
o tamanho da fome. Ter o olho grande exprime o desejo incontrolável de certas
pessoas. Estar de olho, é estar atenciosamente observando algo. Dever os olhos
da cara é a situação de quem está devendo muito, devendo até os cabelos da
cabeça. Num abrir e fechar de olhos, o que é feito com a maior rapidez possível.
Botar areia nos olhos, é ato de quem usa de subterfúgio para esconder a verdade. Custar
os olhos da cara, diz-se de tudo que está muito caro, caro demais. Ter olhos de
peixe morto é qualidade de quem tem o olhar parado, perdido na distância, como se
não tivesse vida. Olhos pidões são olhos de quem suplica, de quem pede
sem usar palavras, sem falar. Olhos de pitomba são os olhos pulados,
salientes. Ter ou Estar de olho vivo, significa perspicácia de seu dono. Pinicar
o olho, é piscar o olho, dar um sinal, namorar à antiga. Quando se faz alguma coisa
em pouco espaço de tempo, o que se fez foi feito enquanto o Diabo esfregou um olho.
Arriscar um olho, é aventurar pra ver se algo dá certo. Abrir os olhos, além
de ser uma advertência é também nascer para a vida, para o mundo. Fechar os olhos é
morrer para o mundo e nascer para a Eternidade.
OMALÁ. O conjunto de alimentos votivos
destinados ao orixá. Cada orixá tem seu omalá. O omalá de
Ibeji é composto de caruru, acaçá, acarajé, abará e farofa de azeite-de-dendê.
O-MAR-NÃO-ESTÁ-PARA-PEIXE. Expressão
usada para se dizer que nada está bom, que as coisas não andam boas, que não é o
momento oportuno para as coisas serem feitas.
ONÇA. 1. Nome que o povo dá às várias
espécies do mamífero carnívoro do gênero felino, entre as quais a onça pintada,
a suçuarana, a preta. 2. A onça participa bastante da linguagem
popular: a) No tempo da onça - tempo muito antigo; b) Espécie de jogo em
tabuleiro como o de damas, representando as pedras a onça e um certo número de cachorros,
ganhando a partida quem conseguir encurralar a onça na furna formada por um
triângulo com a base para cima; c) Andar-na-onça, diz-se de quem está sem
dinheiro, liso; d) Comer-a-onça é comer devagar, aos pouquinhos; e)
Amigo-da-onça é o amigo falso, importuno, inconveniente.
ONDE-O-DIABO-PERDEU-A-BOTA. Lugar ermo,
distante, desconhecido. Igual à expressão nos-cafundós-de-judas,
onde-o-vento-faz-a-curva.
ONDE-O-VENTO-FAZ-A-CURVA. O mesmo que
ONDE-O-DIABO-PERDEU-A-BOTA.
ONOFRE, Santo. É um santo muito popular
no Brasil. O povo acredita que Santo Onofre guarda a despensa, o guarda-comida e
todo e qualquer lugar que tenha alimento. É, assim, o padroeiro da fartura.
OS-PÉS-DA-BESTA. Diz-se da pessoa danada,
inteligente, o-cão-chupando-manga, que faz tudo bem feito.
O-QUE-É-BOM-PRA-TOSSE. Revidar; dar um
corretivo; tomar uma medida em represália a uma afronta sofrida, é mostrar o-que-é-bom-pra-tosse.
ORAÇÃO. Orar é conversar com Deus e os
santos, pedindo-lhes saúde, emprego, chuva, etc. A oração-forte (amuleto ou
talismã), guardada num saquinho, lida ou rezada todas as noites antes de dormir, tem
o poder de proteger a pessoa que a conduz contra as doenças, os maus negócios, tudo de
ruim que possa acontecer na vida de uma pessoa.
ORELHA. Era costume dos guerreiros antigos
cortar as orelhas dos inimigos abatidos em combate e presenteá-las ao seu chefe,
ao seu rei, como prova de coragem e de habilidade na arte de guerrear. No alto Sertão
brasileiro, costumava-se cortar as orelhas dos ladrões, costume que esteve em uso
até a primeira década do século XX. Ainda hoje muitos pais puxam as orelhas de
seus filhos, como castigo, quando fazem coisas erradas. Puxar as orelhas de alguém
era fazer com que as pessoas se lembrassem das coisas, de vez que as orelhas eram
consagradas à deusa Memória, da mitologia greco-romana. E quando na pessoa a orelha
direita arder é porque estão falando de bem do dono da orelha; mas, se a orelha
que estiver ardendo for a esquerda, é porque estão falando de mal. Estar a pessoa de
orelha em pé, diz-se da pessoa que está atenta, vigilante, desconfiada. Torcer-a-orelha-e-não-sair-sangue
diz-se da pessoa arrependida do que fez.
ÓRIO. No rito jeje-nagô é o
sacrifício de animais para que se possa conseguir a benevolência divina.
ORIXÁ. Simbolizando as forças naturais,
os orixás são divindades da religião iorubana. Os orixás moram nas
costas africanas e, atraídos pelos cântico e ritmo dos tambores em sua honra, eles se
encarnam e se apossam de seus médiuns, cavalos, intérpretes, tomando o aspecto
que tiveram na terra.
OVELHA-NEGRA. Dá-se o nome de ovelha-negra
ao filho de uma família diferente dos demais, e que é mau-caráter, enganador, jogador,
sem palavra, mentiroso e que possui todas as más qualidades que uma pessoa possa ter.
OVO. As crendices e superstições tendo o
ovo como motivo estão ligadas à fecundidade. Para se botar uma galinha para
chocar seus ovos é preferível fazê-lo com a Lua em quarto crescente. Para que os
ovos não gorem é bom fazer uma cruz com tinta de escrever em cada um e depois
colocá-los no ninho, dizendo: - "Nas horas de Deus,/ Por São Salvador,/ Nasçam
todos fêmeas/ E um só galador ". Depois de nascerem os pintos é bom queimar
as cascas dos ovos. É bom colocar as cascas dos ovos na extremidade das
varas das cercas, para combater o mau-olhado. Quando muita gente enche um teatro,
um campo de futebol, o povo diz: "Está cheio que só um ovo!" Entre os
bons bebedores, corre a seguinte expressão: - "Todo mundo bebe. Menos o sino, que
tem a boca para baixo e o ovo, que já está cheio".
OVOS-DE-PÁSCOA. Nas grandes cidades do
Sul, a partir de 1920, começaram a aparecer, vindos de Paris, os ovos-de-páscoa.
Eles foram popularizando-se como um hábito de gente rica. Os ovos-de-páscoa
tiveram a seguinte origem: No século XIII, os estudantes da Universidade de Paris iam
cantar laudes na porta da catedral e, depois, coletavam presentes de ovos que eram
distribuídos aos amigos, vizinhos e parentes, depois de tingidos de azul e vermelho.
Durante a Páscoa as crianças ficam com a incumbência de procurar ovos-de-páscoa
feitos de chocolate, escondidos nos mais diferentes lugares da casa. É um costume
recente.
OXALÁ. Entidade andrógina, Oxalá
é o maior dos orixás e de maior tradição religiosa na Bahia. Oxalá, de
caráter bissexual, simboliza as energias produtivas da natureza.
OXENTE. Interjeição designativa de
admiração, de desdém, de desprezo: - "Oxente, não está vendo que o que
você quer é uma coisa impossível?" Deve ser corrutela (forma popular) de ó
gente!
OXÓSSI. É o orixá da caça e dos
caçadores, e tem, na quinta-feira, o seu dia. O fetiche que representa Oxóssi,
no peji, é um arco com uma flecha, uma frigideira de barro e uma pedra. Suas
insígnias são: rabo de boi, polvarinho e o capanga de Oxóssi, reunião das
coisas usadas por um caçador, como espingarda, bucha, vareta, bornal, etc. As
filhas de Oxóssi têm as vestimentas de cor verde e amarelo, usam pulseiras de
bronze e colares de contas verde-branco nos candomblés bantos e azul-claro nos nagôs.
Os animais votivos são o galo e o carneiro. Seu alimento é o achochô, feito de
milho.
OXUM. Oxum é o orixá das
fontes, dos rios, deusa do rio Oxum, na África, égide das águas doces, enquanto
que Iemanjá é das águas salgadas e Ananburucu, Nanburucu ou Nanâ
é orixá da chuva. Oxum é filha de Iemanjá, casada com seu
irmão Xangô. Seu fetiche é uma pedra marinha ou um seixo polido. Sua
insígnia é um leque de latão (o abadê), tendo uma estrela branca no centro ou
uma sereia. O Omalá de Oxum é a tainha, a cobra, a galinha e o feijão.