ABC. São quadras ou sextilhas que começam com cada uma das letras do
alfabeto. Os ABCs são muito antigos no mundo todo. Usados na literatura popular em
versos, também conhecida como literatura de cordel (veja LITERATURA DE CORDEL), os
ABCs contam a vida de heróis populares, estórias de cangaceiros valentes, de santos, de
estadistas famosos.
ABACAXI. É uma fruta muito saborosa e seu
nome também é dado às pessoas que não sabem dançar e pisam os pés do parceiro. É
como também se nomeiam os problemas de difícil solução.
ABAFA-BANANA. Quando as bananas estão
ficando amarelas são colhidas, amontoadas e cobertas com as folhas secas da bananeira,
para que fiquem bem madurinhas. Essa é a razão pela qual abafa-banana é o nome
que se dá às roupas masculinas (os ternos) feitas de tecidos grossos, quentes, pesados
como a casemira, impróprios para nosso clima tropical, mas que eram usados nas décadas
de 30 a 50, aqui, no Nordeste.
ABAFO. É o frevo-de-rua, conhecido por frevo-de-encontro,
no qual os trombones predominam. É chamado de abafo porque abafa o som da
orquestra de outro clube de frevo que se encontre nas imediações.
ABOIO. É um canto triste, geralmente com
poucas e alguns até sem palavras, entoado pelos vaqueiros quando conduzem a boiada.
Alguns vaqueiros, entretanto, improvisam versos como no aboio cantado: "- Ei,
boi!./ Ei, vaca malhadinha!..."
ABRE-ALAS. 1. É o carro alegórico que
simboliza a escola de samba e, no desfile, vem em seguida à Comissão-de-Frente; 2.
O Abre-Alas, de Chiquinha Gonzaga, foi a primeira canção do carnaval
carioca (1899).
ABRIDEIRA. É o começo de tudo: a
primeira dança, o primeiro copo de bebida, o primeiro prato do almoço ou do jantar. E saideira
é o último copo, a última rodada, quando a reunião vai terminar.
ABUSÃO. É a superstição que o povo tem
de fazer ou não alguma coisa. Por exemplo: a) deixar o chinelo emborcado, a mãe pode
morrer; b) passar por baixo de uma escada não é bom, podem acontecer desgraças na vida
da pessoa; c) abrir-a-boca (bocejar) e não fazer o sinal da cruz, o diabo pode
entrar.
ACADEMIA. 1. É um jogo ginástico
infantil, muito antigo, no qual a criança pula com um pé só, para apanhar a pedrinha
que jogou do primeiro até o último quadrado. Em outras partes do país o jogo também é
conhecido como amarelinha, cademia. 2. Nome que se dá ao coro masculino de uma
escola de samba.
ACALANTOS. Os acalantos são
cantados pelas mães do mundo todo para adormecer seus filhos: 1. "Boi, boi, boi/Boi
da cara preta/Vem pegar este menino/Que tem medo de careta"; 2. "Xô, xô,
pavão/Sai de cima do telhado/Deixe meu filho dormir/Seu soninho sossegado"; 3.
"Nanai, meu menino/Nanai meu amor/A faca que corta/Dá talho sem dor". O mesmo
que cantiga-de-ninar, berceuse, cantiga-pra-botar-menino-pra-dormir.
ACARAJÉ. É um bolo de feijãofradinho
com molho de pimenta-malagueta, cebola, camarão. Muito vendido em tabuleiros e barracas
de Salvador, é considerado um prato da culinária baiana.
ADÁGIO. O adágio é uma das fórmulas
clássicas da sabedoria popular. Tem forma rítmica, com sete sílabas. Os brasileiros
não fazem diferença entre adágio, anexim, rifão, máxima, ditado, dito, e não
obedecem ao número de sílabas. Exemplos: Pimenta nos olhos dos outros é refresco,
Filho de burro um dia dá coice, Pé de galinha não mata pinto, Quem anda na garupa não
pega as rédeas, Sombra de pau não mata cobra, Mulher de janela, nem costura nem panela.
ADIVINHAÇÃO. A adivinhação é universal.
Pode ser em prosa, como: "O que é, o que é? Cai em pé e morre deitado?
(chuva)"; "O que é, o que é? Tem quatro pés, mas não anda? (mesa)";
"O que é, o que é? Nasce grande e morre pequeno? (vela, lápis)"; "O que
é, o que é? De dia está no céu (da boca) e de noite está na água (no copo)?
(dentadura)". A adivinhação pode ser em verso, como a do vinho e do vinagre:
"Somos iguais no nome,/ Desiguais no parecer;/ Meu irmão não vai à missa,/ E eu
não posso perder,/ Entre bailes e partidas,/ Todas lá me encomendarão;/ Nos trabalhos
de cozinha/ Isso é lá com meu irmão".
ADIVINHANDOCHUVA. Quando um menino
está trelando muito, ou um adulto apronta alguma arte, diz-se que estão adivinhando
chuva.
ADUFE. É um pandeiro quadrado, oco, feito
de madeira leve, coberto com dois pergaminhos delgados, tocado com todos os dedos, menos o
polegar que serve para sustentá-lo.
AFOXÉ. Cordão carnavalesco de negros na
Bahia, trajando roupas principescas de fazendas brilhantes, entoando canções de candomblé
na língua nagô ou ioruba.
AGOGÔ. É um instrumento musical de
origem africana, usado nos candomblés. É uma dupla campânula de ferro na qual se
bate com uma varinha de metal, cada campânula produzindo um som diferente. Também é
usado nas orquestras de carnaval, principalmente quando estão tocando o maracatu pernambucano.
AGOURO. Veja ABUSÃO
AGOSTO. É o oitavo mês do ano. No mundo
todo agosto é conhecido como o mês da desgraça, da infelicidade, quando coisas
horríveis acontecem com as pessoas. Não é bom casar, viajar, fazer negócios, mudar de
casa, durante o mês de agosto, porque nada dá certo.
AGUARDENTE. Bebida de alto teor
alcoólico, obtida pela destilação de frutos, cereais, raízes, sementes, etc. A mais
conhecida é a aguardente feita de cana-de-açúcar.
AIPIM. É o nome que se dá à macaxeira,
mandioca doce. No Nordeste, o aipim é mais conhecido como macaxeira. Os
índios faziam vinho de aipim, muito bom para o fígado, servido nas festas dos
indígenas brasileiros. No Nordeste, quando um homem conduz uma mulher e consente que ela
caminhe pela extremidade da calçada, é chamado de macaxeira. A mulher deve ficar
sempre à direita de quem vem e à esquerda de quem vai.
AJUDAR-A-MORRER. No sertão nordestino
quando alguém está sofrendo muito, custando a morrer, sua família chama o ajudador,
uma pessoa que, conforme o nome está dizendo, ajuda o doente a morrer mais depressa,
cantando incelença, rezando. Veja INCELENÇA.
ALAMOA. A alamoa aparece na Ilha de
Fernando de Noronha. É uma mulher de cor branca, de longos cabelos louros, nua, para
tentar os pescadores. Os homens vêem a alamoa, ficam apaixonados por sua beleza e,
de repente, ela se transforma num esqueleto horrível, perseguindo quem foge dela. A alamoa
mora no Pico, uma elevação rochosa situada no Arquipélago. Toda sexta-feira a Pedra
do Pico se abre e, na chamada ponta do Pico, aparece uma luz que atrai as mariposas e os
homens que se encontram nas imediações.
ALCEU MAYNARD ARAÚJO nasceu no dia 21 de
dezembro de 1913, na cidade de Piracicaba, SP. Formou-se professor em 1930 e veio para
São Paulo, ingressando no Curso Colegial e Científico do Colégio Ipiranga. Em 1944
bacharelou-se na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, depois do que exerceu
diversas funções e pertenceu a diversas entidades. Na área do Folclore publicou: Cururu
(1948), Danças e ritos populares de Taubaté (1948), Folia de Reis de Cunha
(1949), Rondas infantis de Cananéia (1952), Literatura de cordel (1955), Ciclo
agrícola, calendário religioso e magias ligadas às plantações (1957), Poranduba
paulista (1958), Folclore do mar (1958), Medicina rústica (1961), Novo
dicionário brasileiro verbetes de folclore (1962), Folclore nacional
(1964), Pentateuco nordestino (1971), além de muitos ensaios e artigos na imprensa
brasileira e revistas especializadas. Já é falecido.
ALECRIM. É uma planta usada na medicina
popular para curar tosse, rouquidão, falta de ar. Combate o mau-olhado.
ALFAZEMA. É uma planta com a qual se
faz um perfume tradicional e é usada, também, para que o enxoval dos
recémnascidos fique cheiroso. No quarto da parturiente, a tradição manda queimar
alfazema. Também é usada nos banhos de cheiro.
ALFELÔ. É um dos doces dos mais antigos
trazidos pelos árabes para a Espanha e Portugal. Os colonizadores portugueses trouxeram o
alfelô para o Brasil. É ainda vendido em algumas cidades do Nordeste. É uma
pasta de mel em ponto grosso, "puxado" até clarear; depois se fazem colunas
finas, embrulhadas em papel colorido. Quando o alfelô é feito com mel de engenho
passa a ser chamado de puxapuxa. É uma delícia.
ALFENIM. É um doce popular, feito de
massa de açúcar muito branquinha, em forma de flor, sapato, cachimbo, peixe, etc. Foi
trazido pelos árabes para Portugal e Espanha. Os colonizadores portugueses trouxeram o alfenim
para o Brasil.
ALFINETE. O alfinete está ligado a
muitas superstições, dentre as quais, as seguintes: alfinete apanhado no chão,
dá felicidade no dia em que é apanhado; alfinete que foi usado em vestido de
noiva deve ter a ponta cortada e ser atirado fora para não ser utilizado por outra
pessoa, para não diminuir a felicidade da noiva. Alfinetes também são o
dinheirinho que os maridos dão às esposas para as suas pequenas despesas. Dois alfinetes
amarrados em cruz, com linha preta, trazem a desgraça para a casa onde forem
escondidos. Para acabar com o feitiço é bom, a pessoa que achou, urinar neles.
ALHO. O alho combate a tosse em
forma de chá ou lambedor, e a dor de dente quando colocado na cavidade do
dente. O cheiro do alho afasta todas as feitiçarias e onde houver alho não
haverá bruxaria por perto. Os lobisomens e as mulas sem cabeça fogem do alho
como o Diabo da cruz.
ALPARCATA. É uma sandália de couro presa
aos pés por meio de uma correia. No Nordeste sertanejo a alparcata geralmente é
leve, de couro cru, chamada de alparcata de rabicho. Os frades costumam usar alparcatas
que são os sapatos mais baratos. Na linguagem popular essa sandália também é conhecida
como alpargata, alpercata, alpregata, pregata, pracata.
ALPARGATA. Veja ALPARCATA
ALPERCATA. Veja. ALPARCATA
ALPREGATA. Veja ALPARCATA
ALTIMAR PIMENTEL nasceu no dia 30 de
outubro de 1936, na cidade de Maceió, AL, havendo exercido as seguintes funções:
diretor do Teatro Santa Rosa (João Pessoa), diretor do Departamento de Extensão Cultural
da Paraíba, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação de Cultura Popular da
Paraíba, diretor da Rádio Correio da Paraíba, assessor cultural do Instituto Nacional
do Livro (Rio de Janeiro), assessor cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários
da UFPB (1977-1979), assessor administrativo da Câmara dos Deputados (Brasília, 1980),
membro do Conselho Estadual de Cultural da Paraíba (1963), secretário do Conselho
Consultivo de Alto Nível do Instituto Nacional do Livro (Rio de Janeiro, 1969), redator
da Coordenação do Ministério da Agricultura (Brasília, 1974), assessor de imprensa do
Ministério da Agricultura (Brasília, 1975), assessor de divulgação de Imprensa e
relações públicas da Câmara dos Deputados (Brasília, 1975), do jornal Correio
Braziliense (Brasília, 1976), da Agência de Notícias dos Diários Associados
(Brasília, 1976), do Jornal e da Rádio Correio da Paraíba (João Pessoa, 1970/76).
Publicou, na área do Folclore, O coco praieiro (1968), O Diabo e outras
entidades míticas no conto popular (1969), O mundo mágico de João Redondo
(1971), Estórias da boca da noite (1976), Saruã, lenda de árvores e plantas
do Brasil (1977), Barca da Paraíba (1978), Catálogo prévio do conto
popular da Paraíba (1982), Estórias de Cabedelo (1990), Estórias de São
João do Sabugi (1990), Incantion (Flórida, USA, 1990), Estórias do Diabo
(1995), Estórias de Luzia Tereza (1995), Contos populares brasileiros
Paraíba (1996), Contos populares de Brasília (1998), Como nasce um cabra
da peste (adaptação teatral do livro de igual título, de Mário Souto Maior, 1997).
Autor de várias peças teatrais, Altimar Pimentel também publicou muitos ensaios e
artigos na imprensa brasileira.
ALUÁ. É uma bebida de milho ou de
abacaxi, depois de fermentados. Usa-se, também, principalmente em Pernambuco, o aluá feito
com arroz. No Ceará, o aluá é feito com milho torrado, fermentado com água e
rapadura que, em Pernambuco, recebe o nome de quimbembé.
ALVÍSSARAS. Recompensa que se dá à pessoa
que traz boas notícias ou que entrega coisas perdidas.
AMADEU AMARAL nasceu no dia 6 de novembro
de 1875, em Monte-Mor, SP. Fez o curso primário em Capivari. Com onze anos de idade, em
1888, foi para São Paulo trabalhar como menino de recados na firma Lion & Cia.
Sabe-se que freqüentou o curso anexo da Faculdade de Direito, trocando-o pelo de
Jornalismo que trazia nas veias como herança de seu pai, João de Arruda Leite Penteado,
fundador da Gazeta de Capivari (1885). Foi auto-didata. Começou a trabalhar no Correio
Paulistano e, em seguida, em O Estado de São Paulo, foi oficial de gabinete do
Chefe de Polícia, trabalhou na Secretaria de Justiça de São Paulo. Em 1922, mudou-se
para o Rio de Janeiro, secretariando a Gazeta de Notícias, foi Diretor do Imposto
de Renda e, transferido para Belo Horizonte ou Porto Alegre, resolveu pedir demissão.
Retornou a São Paulo, nomeado diretor do Ginásio Moura Santos (1927/8). Foi membro da
Academia Brasileira de Letras, na vaga de Olavo Bilac (1919) e da Academia Paulistana de
Letras. Jornalista, poeta, novelista, conferencista, folclorista, Amadeu Amaral publicou
vários livros. Na área de Folclore, são de sua autoria, O dialeto caipira
(1920), A poesia da viola (1921) e Tradições populares (obra póstuma,
1948). Faleceu em São Paulo, no dia 24 de outubro de 1929.
AMARELINHA. Veja ACADEMIA.
AMAZONAS. São mulheres indígenas,
guerreiras, exímias cavaleiras, sem marido, que amputavam um dos seios para melhor
empunharem seus arcos e flechas. Foram avistadas, pela primeira vez, em 24 de junho de
1541, por Frei Gaspar de Carvajal, na foz do Rio Jamundá, na Amazônia.
AMENDOIM. Também conhecido por mendobi,
mandubi, amendoí, menduí, manobi, midubim, o amendoim, assado ou cozinhado,
com sal, é consumido no mundo inteiro também como tira-gosto nos cock-tails.
Conta a tradição que o amendoim só deve ser plantado por mulheres. Plantado por
homem, ele não nasce.
AMIGA. É um prato feito com o caldo do
feijão, engrossado com farinha, temperado com pimenta, cebola, a gosto da pessoa. Também
tem o nome de remate e, no Recife, é conhecido como apito.
AMULETO. É toda medalha, inscrição,
bentinho, venera, figa, figura ou qualquer objeto que se traz pendurado no pescoço
ou na roupa, com um broche, para prevenir as doenças, curá-las, destruir os malefícios
e desviar as calamidades. É usado por todos os povos desde o começo do mundo.
ANDAR. Tem menino que custa a andar.
Para que ele comece a andar é bom fazê-lo caminhar em volta de sua casa nas três
primeiras sextas-feiras durante três meses seguidos. Ou segura-se a criança pelas mãos,
dizendo-se, três vezes: - "Vamos para a missa, menino!"
ANEL. Feito de metal, de madeira, de osso,
de plástico ou de vidro, o anel é usado há séculos como adorno ou com um significado
especial por todos os povos. A aliança é usada pelos noivos no dedo anular da mão
direita e, pelos casados, no da mão esquerda. As viúvas passam a usar as duas alianças
no mesmo dedo. Na linguagem infantil, os dedos têm outros nomes: o polegar é o cata-piolho,
o indicador é o fura-bolo, o médio é o maior de todos, o anular é o senhor
vizinho, o mínimo é o mindinho. Os meninos costumam brincar de anel.
Faz-se uma roda de meninos e meninas e um deles, com um anel entre as mãos, vai passando
pelas mãos dos outros e, entre as mãos da pessoa de sua preferência, namorado ou
namorada quase sempre, deixa o anel. Depois um deles é argüido: "- Onde é
que está o anel?". Se o indagado disser com quem está o anel, ele
continuará a brincadeira, passando o anel. Se errar, sai da brincadeira, leva um bolo
ou outro castigo.
ANEXIM. Veja ADÁGIO.
ANGU. É uma papa mole de fubá de milho
ou de farinha de mandioca, feita com água e sal, ou com leite, ou caldo de peixe, de
carne ou de camarão para se comer com guisado ou carne assada. Também se faz o angu,
no Nordeste, de outra maneira: somente à base de milho, do xerém (angu doce, na
ceia, e salgado, para ser comido com carne).
ANJINHOS. São anéis de ferro, com
parafusos, presos a uma tábua, para apertar os polegares dos criminosos e fazê-los
confessar seus crimes. Também foram usados no tempo da escravidão.
ANJO. Diz-se das criancinhas quando
morrem. Como não chegaram a pecar, vão para o céu e são anjos.
ANJO DA GUARDA. É o anjo que Deus dá a
cada pessoa quando nasce, para protegê-la, defendê-la, mostrando sempre o caminho do
bem. Antes de dormirem, as mães costumam rezar, com seus filhos, a oração do anjo da
guarda: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, que a ti me confiou a
piedade divina, sempre me rege, guarde e governe e ilumine. Amém". Ou "Amigo
bom, Anjo de Deus, vinde guiar os passos meus. Fazei-me uma boa criança".
ANO-NOVO. Celebrado com muita festa, muita
comida, muita bebida e dança, a festa do Ano-Novo é comemorada no primeiro dia do
ano que começa, representado por uma criança recém-nascida, enquanto que o ano velho, o
que passou, é representado por um velho de longas barbas e de andar trôpego, apoiado num
bastão. O povo criou uma série enorme de crendices e superstições ligadas à entrada
do Ano-Novo. No primeiro minuto do Ano- Novo, a pessoa deve estar com uma
cédula de maior valor na mão direita ou no sapato do pé direito para dar o primeiro
passo para ser feliz e nunca lhe faltar dinheiro. Deve estar vestida de branco
(influência dos cultos afro-brasileiros) ou de amarelo, que é a cor do ouro. Rompido o Ano-Novo,
a pessoa deve dar o primeiro passo com o pé direito. Também é bom fazer o seguinte: 1.
Comer sete caroços de romã e guardar as sementes na carteira para garantir um ano sem aperto;
2. Usar roupas novas, inclusive as íntimas; 3. Comer carne de porco, porque o porco fuça
para frente, evitando carne de peru, que cisca para trás; 4. Guardar a rolha da garrafa
de champanhe num lugar que ninguém possa descobrir; 5. Trocar toda a roupa da cama; 6.
Fazer muito barulho, gritar, quando romper o ano, que é para afugentar os maus
espíritos; 7. Jogar moedas da calçada para dentro de casa, para atrair dinheiro; 8.
Livrar-se de tudo quanto for velho, quebrado, imprestável; 9. Acender todas as luzes da
casa para receber um Ano-Novo cheio de luz e de alegria.
ANTÔNIO, Santo. Fernando de Bulhões
nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 15 de agosto de 1195. Ingressou na Ordem de São
Francisco em 1220 e, como frade, recebeu o nome de Antônio. Faleceu no dia 13 de
junho de 1231, em Arcela, perto de Pádua, na Itália. É um dos santos mais populares
não somente em Portugal como também no Brasil. É considerado como santo casamenteiro.
Quando as moças não encontram rapazes para casar fazem promessas a Santo Antônio
e muitas delas conseguem um marido. Santo Antônio também ajuda a encontrar as
coisas perdidas. Os escravos africanos pintaram de preto uma imagem de Santo Antônio
que passou a ser conhecido como Santo Antônio dos Pretos.
ANTÔNIO SILVINO. Era este o nome de
guerra de Manuel Batista de Moraes, nascido em Afogados da Ingazeira, PE, em 1875. Como o
assassino de seu pai não foi preso, Antônio Silvino procurou fazer justiça com as
próprias mãos, à sua maneira. Durante quatorze anos foi o governador do
Sertão. Era um cangaceiro que respeitava as mulheres, distribuía dinheiro, tomado
dos ricos (as moedas), com os pobres. Vivia sempre perseguido pelas forças policiais de
vários estados do Nordeste. Foi ferido em combate em Taquaritinga, PE, no dia 28 de
novembro de 1914 e preso. Depois de cumprir quase toda a pena a que fora condenado,
Antônio Silvino morreu em Campina Grande, PB, em agosto de 1944. Muitos folhetos
de feira foram escritos pelos poetas populares sobre sua valentia, seus combates, sua
vida.
APARTAÇÃO. No sertão, o gado é criado
solto. As vacas e os bois são ferrados com a marca do dono. E, depois do inverno,
o gado é reunido pelos vaqueiros das fazendas para ser entregue aos seus donos. É a apartação,
uma das melhores festas do sertão, com muita comida, baile, reunindo vaqueiros e
fazendeiros. Acontece, então, a vaquejada. Veja VAQUEJADA.
APITO. É um pequeno instrumento de sopro,
usado pelo regente de uma orquestra, para avisar o início do toque de um frevo e,
também, pelo mestre da bateria das escolas de samba. Veja AMIGA.
ARANHA. Diz o povo que quando Nossa
Senhora, com São José e o Menino Jesus iam fugindo para o Egito, perseguidos pelos
soldados de Herodes, esconderam-se em uma gruta e uma aranha teceu uma teia na
entrada e os soldados não acharam os fugitivos, razão pela qual Nosso Senhor abençoou a
aranha e sua teia. Não é bom desmanchar uma teia de aranha porque ela traz
felicidade. Botando uma aranha num saquinho de pano e pendurando esse saquinho no
pescoço de uma pessoa que sofra de algum mal na garganta, essa pessoa ficará curada.
ARARA. É uma dança engraçada. Todos os
pares estão dançando, menos um rapaz que, em determinado momento, grita: Arara!
Todos os rapazes trocam suas damas e quem ficar sem dama para dançar é o novo arara.
ARCO-ÍRIS. Também conhecido como arco,
arco celeste, arco-da-chuva, olho de boi, arco-da-velha, o arco-íris não é
muito amigo dos agricultores porque ele bebe a água dos rios, dos açudes, das lagoas.
Para acabar com o arco-íris costumam fazer filas de pedrinhas, de gravetos,
pauzinhos e ele vai embora porque não gosta de linhas retas.
ARENGA-DE-MULHER. Diz-se, no Nordeste, da
chuva fraca, fina, insistente, que não pára.
ARGUEIRO. Para retirar um argueiro
do olho nada como esfregar a pálpebra e dizer: "Vai-te argueiro, pro olho do
companheiro"! Ou então botar uma semente de alfavaca na pálpebra e
esfregá-la.
ARIANO SUASSUNA nasceu no dia 16 de junho
de 1927, na cidade de João Pessoa, PB. Fez o primário em Taperoá, PB. Concluiu o curso
de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife (PE), em
1946. Professor de Estética e Teoria do Teatro na Universidade Federal de Pernambuco, foi
poeta e, quando ainda era estudante de Direito, fundou, com Hermilo Borba Filho e outros,
o Teatro do Estudante de Pernambuco. Renomado teatrólogo, romancista, foi membro fundador
do Conselho Federal de Cultura e, em 1969, Diretor do Departamento de Extensão Cultural
da Universidade Federal de Pernambuco. Levando a literatura popular em verso para suas
peças teatrais, Ariano Suassuna, na área de Folclore, publicou A poesia clássica do
sertão nordestino (1949), Coletânea da poesia popular nordestina: romances do
heróico (1962), Coletânea da poesia popular nordestina: romances do ciclo
heróico conclusão (1964).
ARRASTA-PÉ. Baile popular. O mesmo que bate-chinela,
forró.
ARRASTAR-A-MALA. Diz-se de quem deu uma
viagem perdida, isto é, de quem foi procurar uma pessoa e não a encontrou, por exemplo.
ARRIBAÇÃ. Também conhecida como ribaçã,
rebaçã, avoante, avoete, é uma ave de imigração que aparece no sertão
nordestino. A arribação chega no fim do inverno, em bandos, nas caatingas,
passando nos lugares onde encontram o capim-milhão, que é a alimentação que
prefere. Os caçadores entram em ação e abatem uma quantidade enorme de arribaçãs
que são vendidas nas feiras.
ARRUDA. Amuleto contra o mau-olhado.
A casa que tiver um pé de arruda plantado no jardim as forças contrárias desaparecem.
É uma planta muito usada nas macumbas, nos candomblés, nos catimbós.
Na medicina popular a planta funciona como fortificante do sistema nervoso, como
sudorífico e também como aperitivo. Suas sementes, secas e queimadas, combatem os
insetos.
ASCENSO FERREIRA nasceu em 1895, na cidade
de Palmares, PE, onde passou sua infância e adolescência, tendo sua mãe como
professora. Aos treze anos foi obrigado a trabalhar na loja de um tio para ajudar no
orçamento doméstico. Com alguns amigos fundou, em 1917, a sociedade literária Hora
Literária de Palmares, com reuniões dominicais, quando os sócios liam e discutiam
suas produções intelectuais. No mesmo ano estreou como poeta, publicando Pro Pace,
soneto dedicado a Oliveira Lima, no Jornal do Recife. Participou do movimento
modernista (Mário de Andrade foi seu hóspede, certa vez) e colaborou nos jornais e
revistas da época, percorrendo os grandes centros literários do país lendo seus famosos
poemas. Publicou: Catimbó (1927), Cana Caiana (1939), Xehenhem
(1951), 64 poemas e 3 historietas populares (livros e discos) (1958), Catimbó e
outros poemas (1939). Na área de Folclore escreveu Maracatu, Presépios e
Pastoris, O bumba-meu-boi, na revista Arquivos, da Prefeitura do Recife,
1942-1944. Faleceu em 1965.
ASSOMBRAÇÃO. É o aparecimento de
barulhos, de vozes, de correntes arrastadas, de gemidos, de sons misteriosos, de luzes em
casas mal-assombradas.
ASSUSTADO. Existente até hoje, o assustado
é a maneira de se comemorar o aniversário de uma pessoa amiga, sem que ela saiba.
Juntam-se os amigos, compram-se os comes e bebes, contrata-se uma pequena orquestra e, de
surpresa, aparecem todos na casa do aniversariante, onde dançam, comem, bebem e conversam
até tarde da noite.
ATABAQUES. São tambores feitos com peles
de animais, espichadas sobre a abertura de um pau oco e que servem para marcar o ritmo de
danças religiosas nos clubes afro-brasileiros e foram trazidos pelos escravos africanos.
ATIRADEIRA. É o mesmo que tiradeira,
estilingue, funda, setra, baladeira, badoque ou bodoque. São duas tiras de borracha
de câmara de ar de automóvel amarradas nas extremidades de uma pequena forquilha e que
vão ser fixadas num pequeno pedaço de couro onde é colocada uma pedrinha. Pegando-as a
forquilha com a mão esquerda e, com a mão direita, esticando-se as tiras de borracha, a
pedrinha é arremessada até certa distância. A baladeira serve para caçar
passarinhos.
AVIÃO. Veja ACADEMIA.
AVOANTE. Veja ARRIBAÇÃ.
AVOETE. Veja ARRIBAÇÃ.
AXÉS. É a mistura do sangue dos animais
sacrificados nos cultos afro-brasileiros.
AZIA. Calor de estômago, azedume. Para
melhorar é bom dizer três vezes: "Azia, ave-maria".
AZUL e ENCARNADO. São as cores dos dois
cordões dos pastoris. Há uma explicação católica sobre a cor dos cordões dos
pastoris: o encarnado representa o manto de Jesus Cristo e o azul representa
o manto de Nossa Senhora. Veja PASTORIL.